CRESCEI E MULTIPLICAI-VOS
Crescei e multiplicai-vos
E aumentai o escopo de vossas inquietações
Trazei a este mundo novas criações
Para sofrer os apocalipses do amor
Crescei e multiplicai-vos
E que cada parto seja um espetáculo de dor
E de joelhos levando as mãos ao Senhor
Agradeceremos as novas crianças nascidas
Crescei e multiplicai-vos
E a**im perpetua-se a ferida
Novas existências para o apetite da Vida
Satisfazer-se como louca embriagada
E multidões de insensíveis Nadas
é o que os olhos do Misantropo alcança
Ele que sonha com épicas matanças
De ventres abertos e mães chorosas
Abraçando fetos sob a rubra aurora
COMENTÁRIOS: Chora, chore o quanto quiser. Nada do que você fizer mudará minhas prerrogativas. Os censores comprovam, os fatos são escandalosos e cospem nas faces daqueles que ousam defender a candura frente ao Abominável. Sim, pois é abominável saber que a Grande Vida e o Destino multiplicam-se como pestes e afundam em mediocridade este reino já tão sem brio. Por toda parte vejo o Fútil, o Desnecessário, o acúmulo do Frágil e de leitos imundos para abrigar esta geração que perpetuará a raça miserável a que pertencemos. Alguns me interpelam e propõe, ridiculamente, um processo lento e gradual onde, de forma voluntária, estes vermes abdica**em de multiplicar-se. Ora, não precisamos de outras utopias e sim da audácia de um Herodes ainda mais insano e sedento de crime. Eu estou indo agora e não descansarei até que todos, absolutamente todos, vejam que minhas palavras têm peso de ferro e a forma de uma lâmina